O diário da conquista da primeira medalha de ouro
21/08 09:00

O diário da conquista da primeira medalha de ouro

Naturalmente, a conquista de um título é recheada de histórias e situações que marcam a caminhada rumo à glória. Como foram 34 dias de convocação, seria impossível repassar aqui todas estas lembranças. No entanto, jogo a jogo, o site CBF destaca abaixo aquele detalhe que pode passar despercebido para quem assiste de casa, mas que constroem a marca de um time vencedor.

 

Brasil x Japão - Amistoso - 30/07 - Goiânia - Pacto por Prass

Foram duas semanas de convivência na Granja Comary. O suficiente para Fernando Prass, aos 38 anos, conquistar o respeito e simpatia de todo o grupo. No aquecimento para esta partida, que o Brasil venceu por 2 a 0 e mostrou que estava no caminho certo, o veterano sentiu uma lesão. No vestiário após o jogo, já se imaginava que ele estaria fora dos Jogos. Faltava um exame confirmar, mas ainda no estádio, os jogadores disseram: "independentemente de qualquer coisa, você estará conosco. Vamos em busca da medalha e ela também será sua."

 

Brasil x África do Sul - 04/08 - Brasília - "Importa é como termina, não como começa"

Domínio da posse de bola, chances claras de gol, troca de passes. O barbante não balançou e o Brasil não saiu vitorioso na sua estreia. Nada que tirasse o sono do time. Estreia, afinal de contas, é sempre complicado. Parece clichê para quem vê de fora, mas só caiu no lugar comum justamente pela quantidade de vezes que se repetiu. Um time favorito não vencer na primeira rodada. Micale definiu: "o importante é como termina". Você já sabe como terminou.

 

Brasil x Iraque - 07/08 - Brasília - Vaias

Não há o que esconder aqui. Vaias fazem parte do futebol, mas ser vaiado pela sua própria torcida com a bola ainda rolando não ajuda. Como de fato aconteceu. Novo domínio da posse de bola, chances de gol, mais um 0 a 0. Com tudo isso, o que ficou claro para jogadores e comissão técnica: precisamos ter a torcida ao nosso lado. Cabe a nós conquistá-la. Estamos jogando em casa.

 

Brasil x Dinamarca - 10/08 - Salvador - Axé baiano, dedo de Micale e alívio

O que se viu na Arena Fonte Nova já era até previsto, mas precisava acontecer para virar fato. Arena Fonte Nova lotada, torcida apaixonada empurrando o time e o gol que traria a tranquilidade. Estava estampado na cara dos jogadores a felicidade ao balançar as redes pela primeira vez. Estava nítido que iria engrenar. Quem pagou o pato foi a Dinamarca. Quatro gols para delírio da torcida. Na resenha, Renato Augusto foi didático: "tem o dedo do Micale nisso aí. Ele passou o Ney para o meio, o que chama a marcação adversária, e liberou o Jesus pela ponta. Além de fazer o trabalho sujo de acompanhar o lateral, ele ficou com espaço para o um contra um".

 

Brasil x Colômbia - 13/08 - São Paulo - Libertadores e comemoração no VT

Quem acompanha a Copa Libertadores da América sabe. Jogos catimbados, com divididas fortes e necessária muita frieza. Foi o que aconteceu na Arena Corinthians. Enquanto o Brasil mostrava qualidade e um jogo que fluía, os colombianos tentavam desestabilizar os brasileiros. Não deu. A maturidade foi posta à prova. Eles deram resposta. Imprensa e comissão técnica ressaltaram a frieza do time. 2 a 0. No refeitório da concentração, após o jogo, a reprise que era mostrada na TV levantou a galera. Cada gol e cada lance foi comemorado efusivamente.

 

Brasil x Honduras - 17/08 - Rio de Janeiro - "Sai do chão, sai do chão, quem é pentacampeão"

Engana-se quem pensa que o jogador não sente de dentro do campo a vibração que vem da torcida. Alguns chegaram a dizer que quando viram a massa pulando na arquibancada, deu vontade de pular também dentro do campo. O baile que se viu no Maracanã não foi apenas dos jogadores. Foi de todos os presentes. Um show, digno de espetáculo. O vestiário, com pizzas que remeteram Renato Augusto até a sua infância tijucana, tinha um recado: "pés no chão. Viemos aqui pelo ouro, falta um jogo."

 

 

Brasil x Alemanha - "nosso futebol está vivo"

 

Rogério Micale analisou o ouro olímpico como um momento emblemático para o futebol brasileiro dar a volta por cima depois de profundas decepções recentes da seleção, em especial na Copa do Mundo de 2014. O treinador campeão dos Jogos do Rio de Janeiro evitou o discurso crítico de outros momentos.

 “Acho que é um resgate da nossa autoestima. A gente vê que não está tudo perdido. Nosso futebol está vivo. A gente precisa de acertos, mas estou feliz no dia de hoje. Fico feliz de participar disso”, disse.

"Espero que sim, acredito que sim (que represente uma mudança). É uma conquista que almejávamos há muito tempo, havia um anseio por essa medalha de ouro. É o desporto número um do país. É uma fase que passou e para o futuro teremos uma tranquilidade maior para lidar com essa situação. É um motivo de orgulho para o nosso futebol. Nosso futebol não está morto. Podemos oferecer muito ao futebol mundial", resumiu o treinador medalha de ouro.

 

Micale também falou sobre o legado que pode dar à equipe principal. "Espero que possa ter contribuído com o trabalho que o professor Tite, de repente, possa levar desse momento que estamos vivendo para a principal. São situações bem diferentes. Tite terá três dias para harmonizar a equipe, para trabalhar, é pouco tempo. Ele vai contar com uma junção de fatores para que as coisas funcionem", disse o treinador.

"Que eu possa ter contribuído se, dentro do pensamento que ele tem, usar a base. Em termos de futuro, não só para o próximo jogo, mas de seleção brasileira, é uma geração muito boa e com esse amadurecimento tático. Tem muita chance de eles terem sucesso no futuro e que possam contribuir, desenvolver nosso talento", acrescentou Micale.

 "É uma mistura de sentimentos. São vários", descreveu sobre o pós-jogo. "Você sai de um momento pré-jogo de muita ansiedade, em que sabíamos que enfrentaríamos uma equipe difícil, por tudo que sabemos. O jogo mostrou. O sentimento é de realização, de alívio, eufórico. Realizado por tudo que foi a preparação, por esse torneio. É uma mistura de sentimentos e com calma vou saber identificar, mas estou muito feliz", disse ainda.

 

 

 

 



Autor: CBF


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