Júlio César repete Taffarel e salva Brasil em Copa

Júlio César repete Taffarel e salva Brasil em Copa

Júlio César foi convocado para a Copa do Mundo de 2014 sob muitas desconfianças. Aos 34 anos, o goleiro, que foi um dos vilões na traumática eliminação para a Holanda no Mundial de 2010, defende as cores do modesto Toronto F.C., do Canadá, e ainda não havia tido a oportunidade de exorcizar o fantasma que o aterroriza há quatro anos. Aterrorizava. Neste sábado, diante do Chile, pelas oitavas de final da Copa, o arqueiro carioca tirou o peso de um Brasil inteiro das suas costas. Pegou dois pênaltis, salvou a Seleção de uma queda precoce dentro de casa e teve um dia para Taffarel nenhum botar defeito.
Foi impossível não ver o goleiro do tetra em Júlio César debaixo das traves do Mineirão. Em 100 anos de Seleção Brasileira, somente o arqueiro gaúcho havia feito defesas em decisões por pênaltis para o Brasil em Copas – Carlos, nas quartas de final de 1986, contra a França, não pegou nenhuma penalidade. Contra os chilenos, Júlio César encarnou o ex-camisa 1 e, com o 12 nas costas, repetiu o feito do arqueiro titular dos Mundiais de 1990, 1994 e 1998. De diferente, apenas o fato de que salvou a Seleção em duas cobranças. Taffarel arrancou o grito brasileiro em três oportunidades.

A primeira delas em 1994, nos Estados Unidos. Após um tenso empate por 0 a 0 na grande final contra a Itália, o goleiro brilhou nas cobranças de penalidades. Na quarta batida dos europeus, caiu para o canto esquerdo e espalmou o chute de Daniele Massaro.

Quatro anos depois, Taffarel voltou a salvar o Brasil nas finalizações da marca da cal. Foi na semifinal da Copa de 1998, diante da Holanda. Desta vez, foram duas as defesas do arqueiro que mais vestiu a camisa da Seleção Brasileira: uma em chute de Cocu, no mesmo canto esquerdo que o consagrara há uma Copa, e outra em cobrança de Ronald de Boer, desta vez do lado direito.
Deste chute para cá, a Seleção nunca mais havia passado a tensão de ter o seu destino em uma Copa definido nos pênaltis. Aconteceu na ensolarada tarde deste sábado, no Mineirão. O 28 de junho de 2014 já havia reservado a Júlio César um milagre em chute à queima roupa do chileno Charles Aránguiz na etapa complementar do tempo normal. Tornou-se ainda mais generoso depois da prorrogação.
Júlio chorou antes da decisão por pênaltis - como se estivesse prevendo o que aconteceria minutos depois. Na primeira cobrança, saltou para o canto esquerdo e repetiu Taffarel contra Massaro: defendeu o chute de Maurício Pinilla. Depois, pulou para o canto direito e brecou Alexis Sánchez, como o gaúcho fizera com Ronald de Boer. Foram duas defesas que permitiram ao Brasil seguir vivo na Copa do Mundo. E que agora fazem companhia às três de Cláudio Taffarel na gloriosa história canarinho em Mundiais.
E não foram somente estas as vezes em que os dois goleiros brilharam em cobranças de pênaltis com a camisa da Seleção. Taffarel “nasceu” para o futebol mundial com três intervenções em chutes da marca da cal na semifinal dos Jogos Olímpicos de 1988 e ainda salvou o Brasil na Copa América de 1995. Já Júlio César fez duas defesas históricas na Copa América de 2004 e evitou um gol do uruguaio Diego Forlán na semifinal da Copa das Confederações do ano passado.



Autor: terra