Copa de 70 – A taça do mundo é nossa; Jules Rimet em definitivo

Copa de 70 – A taça do mundo é nossa; Jules Rimet em definitivo

A marchinha "a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa..." poucas vezes fez tanto sentido como em 1970. A equipe não era perfeita, mas parecia. Não só pelos belíssimos gols marcados no torneio (e foram 19 em seis jogos), mas também pelas vitórias elásticas, principalmente nos jogos finais do campeonato no México.

A seleção brasileira era uma verdadeira máquina. Contava com craques como Rivellino, Tostão, Gérson, Clodoaldo, Carlos Alberto e Jairzinho, além do maior de todos: Pelé. Já nas eliminatórias, o time dava mostras de sua genialidade - ganhou todos os seis jogos, marcando 23 gols e sofrendo apenas dois.





Nem mesmo a troca de técnico (por pressão da ditadura militar, João Saldanha foi substituído por Zagallo depois que a equipe obteve a classificação) atrapalhou o bom momento da seleção, que continuou arrasadora na primeira fase da Copa do Mundo: vitórias sobre Tchecoslováquia (4 a 1), Inglaterra (1 a 0) e Romênia (3 a 2).

O duelo contra os ingleses, então atuais campeões mundiais, foi um dos momentos mais marcantes do torneio. O jogo estava 0 a 0 e muito equilibrado quando Pelé acertou uma cabeçada letal no canto direito. Quando os brasileiros já comemoravam, o goleiro Gordon Banks fez aquela que ficou conhecida como a "maior defesa de todos os tempos".

O massacre brasileiro continuou na fase de "mata-mata". Nas quartas de final, os peruanos - comandados pelo brasileiro Didi - foram as vítimas, goleados por 4 a 2.





Na semifinal, o Brasil bateu o Uruguai por 3 a 1 e vingou a derrota na final de 1950. Mas o jogo ficou conhecido pelo gol que Pelé não marcou. Sem tocar na bola, ele deu um drible de corpo no goleiro Mazurkiewicz e tocou para o gol vazio. Caprichosamente, a bola passou a poucos centímetros da trave direita.

A final contra a Itália, que valia a posse definitiva da taça Jules Rimet, teve dois tempos distintos. O primeiro terminou empatado, com Pelé abrindo o placar de cabeça e Boninsegna empatando para os italianos. No segundo, porém, o Brasil sobrou em campo e, com gols de Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto, selou a goleada por 4 a 1.

Pela primeira vez na história, o Brasil foi campeão vencendo todos os seus jogos - foram seis vitórias em seis jogos, 19 gols a favor e sete contra -, uma campanha irretocável que culminou com a conquista do tri.

Time que é considerado o melhor de todos os tempo

Após o fracasso em 1966, a seleção brasileira viveu anos de instabilidade. Aymoré Moreira entrou no lugar de Vicente Feola, mas logo foi substituído por Osvaldo Brandão. Sem bons resultados, ele caiu. Em 1968, Zagallo assumiu o comando técnico pela primeira vez. Sem definir o time tiular, porém, perdeu a vaga para o jornalista João Saldanha.





O novo técnico anunciou de imediato seu time titular para as eliminatórias - as "feras" do Saldanha. Em uma chave com Colômbia, Paraguai e Venezuela, o Brasil conseguiu seis vitórias, 23 gols marcados e apenas dois sofridos. O sucesso não impediu outra troca de treinador.

O presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), João Havelange, devolveu a Zagallo o cargo de Saldanha. A mudança teria sido um pedido do governo militar, que não admitia um militante do extinto Partido Comunista em um cargo de tanta visibilidade.

Apesar disso, a preparação foi muito bem feita. A comissão técnica, pela primeira vez, contava com uma equipe completa, com preparador físico, médico e massagista. Um minucioso trabalho de aclimatação, prática inédita até então, deixou os jogadores em condições de suportar a altitute e o calor (os jogos foram realizados por volta do meio-dia, exigência da TV) mexicanos.

Amplo favorito, o Brasil teve uma estreia difícil. A Tchecoslováquia chegou a sair na frente, mas Rivellino, Pelé e Jairzinho (duas vezes) viraram o placar para 4 a 1. Essa partida teve ainda um dos lances mais espetaculares da Copa: Pelé chutou do meio do campo na tentativa de encobrir o goleiro Viktor, mas a bola passou a centímetros da trave tcheca.





Campeões das duas últimas Copas, Brasil e Inglaterra fizeram um duelo à altura de suas tradições na segunda rodada. A seleção brasileira não contou com Gérson, contundido, e só conseguiu o gol no segundo tempo: Tostão driblou quatro adversários e tocou para Pelé, que passou para Jairzinho garantir a suada vitória.

Nesse jogo, outro lance ficou marcado na memória do futebol. Quando o placar ainda apontava 0 a 0, Pelé deu uma cabeçada forte e certeira no canto direito. Milagrosamente, o goleiro inglês Gordon Banks evitou o gol, praticando aquela que ficou conhecida como a maior defesa de todos os tempos.

Além de Gérson, o Brasil também não teve Rivellino contra a Romênia. Pelé, de falta, e Jairzinho deram a vantagem por 2 a 0 na metade do primeiro tempo. Os romenos diminuíram com Dumitrache e passaram a insistir nas jogadas aéreas em busca do empate. Mas Pelé fez o terceiro e tranquilizou a equipe, que ainda levaria mais um, de Dembrowki (3 a 2).





Vencidos esses três obstáculos, a seleção deslanchou. Nas quartas de final, o Peru foi goleado por 4 a 2. Na semifinal, o Uruguai até saiu na frente, mas cedeu o empate em grande jogada de Clodoaldo e levou a virada no segundo tempo, com gols de Jairzinho e Rivellino (3 a 1).

Na final, Brasil e Itália disputavam o título, a posse definitiva da taça Jules Rimet e a honra de ser o primeiro tricampeão do mundo. O primeiro tempo terminou empatado, com Pelé abrindo o placar de cabeça e Boninsegna empatando para os italianos.

Na segunda etapa, o volume de jogo verde-amarelo foi muito maior. Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres selaram a goleada brasileira por 4 a 1, encerrando uma campanha brilhante que transformou essa equipe em uma lenda do futebol.

FONTE: UOL


Autor: assessoria