Heitor: Trajetória com política, futebol e samba em RO

Heitor: Trajetória com política, futebol e samba em RO

Residindo em Rondônia há quase 40 anos, o odontólogo, Heitor Luiz da Costa Junior, 66 anos, casado, pai de dois filhos e avô de dois netos, natural de Uberaba (MG), atual presidente da Federação de Futebol de Rondônia, tem uma longa trajetória na vida pública. Eleito deputado estadual em 1982, participou da Assembleia Constituinte do Estado, instalada em 1983, que acaba de completar 30 anos. Durante entrevista, ele se emocionou ao lembrar de uma época que, segundo ele, “deixou bons exemplos e muita saudade”. Ao longo de sua vida pública, Heitor, além de deputado estadual, foi secretario de Estado e disputou a prefeitura de Porto Velho, em 1985, a primeira eleição pelo voto direto da Capital. Filho de pecuarista, Costa veio a passeio no final dos anos 70, ficou maravilhado com o que viu e deixou para trás a carreira política já iniciada em Uberaba, onde foi eleito vereador, depois de ser líder estudantil.

Como fato pitoresco, ele relata que por muito tempo foi tido como primo do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, que disputou a Presidência num colégio eleitoral formado por deputados e senadores. Na época, Maluf era cotado para ser presidente, algo que até dava prestigio, depois que perdeu, nem tanto. “Deixei a coisa rolar, só hoje estou revelando a origem do mal entendido. Minha esposa tem o sobrenome Maluf, mas é de uma outra família. Não tem nenhum parentesco com o ex-governador”.

Diário a Amazônia: Como foi sua chegada a Rondônia?
Heitor Costa: Fui vereador em Uberaba. Na época tinha me formado em odontologia, em 1974. Algum tempo depois meu irmão veio para cá, falando bem do novo Eldorado, um Território Federal que se preparava para se transformar em Estado e fiquei encantado com as perspectivas de crescimento. Vim dar um passeio e vislumbrei oportunidades de crescimento na minha profissão. Foi a melhor coisa que eu fiz. Com novas amizades, me adaptei muito bem.

Diário: E sua entrada na política?
Heitor: Já tinha a política no sangue e tinha uma boa perspectiva por aqui, estava bem entrosado. Tive apoio que foi fundamental, do Galvão Modesto, eleito senador. No início da minha carreira também o Odacir Soares (eleito também senador) ajudou muito. Em Minas fui eleito vereador pela antiga Arena, que depois mudou para PDS, partido que me filiei e fui eleito deputado, em 82.

Diário: Sua projeção política também cresceu através do Carnaval, no comando da Escola Diplomatas…
Heitor: Tivemos grandes conquistas pela Diplomatas. Meus amigos me prestigiaram e fui eleito presidente da escola. Até então a Caiari era soberana e ganhava tudo. Já na primeira disputa levamos a taça. Ganhamos uns quatro campeonatos e, então, criou-se a rivalidade. Era muito divertida a coisa, mas era muito disputada. Saía briga, ia parar na Justiça. Teve uma coisa engraçada: uma vez infiltramos o Linguiça (amigo até hoje de Heitor) na comissão de jurados, ele entendeu errado os sinais de votação e acabamos perdendo por décimos. Todo mundo ficou furioso e a coisa rende gozações até hoje.

Diário: E a eleição a deputado estadual?
Heitor: Foi muito difícil. Eu não era a menina dos olhos do governo, entrei quase na repescagem. Minha base inicial foi Jaru, enfrentando Silvernani Santos, dos Codarons Boys, candidato local; e o Tomás Correia, com apoio dos Guerra. Vim eleito de Jaru, completando a votação na Capital. A coisa não foi fácil, tinha os candidatos do Teixeirão. Peguei pedreira, mas com o apoio do senador Galvão Modesto consegui me eleger para a primeira legislatura.

Diário: Fale sobre sua participação na Assembleia Constituinte…
Heitor: Foi uma participação histórica. Fui designado para o capítulo da Saúde, Educação, Lazer e Desportos. No geral, tivemos grandes avanços, principalmente no tocante à autonomia financeira para o Ministério Público. Nesta parte, a ALE serviu de modelo nacional, foi pioneira. Rondônia foi o primeiro estado a dar liberdade, prestígio e autonomia financeira ao MP. Foram 24 deputados constituintes, funcionando como relator, o falecido Amizael Silva. A promulgação foi em 6 de agosto. Nas escolas, além do hino de Rondônia, a garotada aprendia a nossa Constituição. A Carta Magna foi debatida amplamente. Foi uma escola política para todos nós. Aquela legislatura foi um o embrião de lideranças que posteriormente se elegeram governadores, senadores, prefeitos, etc.

Diário: Até agora a ALE não programou nada sobre os 30 anos da Constituição. Qual é sua expectativa quanto a esta data?
Heitor: Acho que esta data não pode passar em branco. É uma data histórica, tanto quanto da implantação do Estado, como de outros eventos. Acredito que os deputados constituintes merecem uma homenagem, ser lembrados pelo seu trabalho histórico é algo para resgatar a nossa história. Muitos constituintes já se foram, merecem homenagens póstumas, como Amizael Silva, Valderedo Paiva, Clóter Motta, Valter Bártolo, Jô Sato.

Diário: Foram quantos mandatos de deputado?
Heitor: Quatro. Convivi com cinco governadores (Teixeirão, Angelim, Jerônimo, Raupp e Oswaldo Piana). Também disputei e perdi a primeira eleição com voto direto a prefeito da Capital. Eram meus adversários, os ex-deputados federais, Jerônimo Santana (PMDB) e Chiquilito Erse (PFL); e José Neumar (PT.) Eu tinha ido para o PDT, a convite do Clodoaldo e do Ruy Motta, em 85. No ano seguinte, fui o primeiro político do PDT, a se eleger em Rondônia, na minha primeira reeleição.

Diário: Como foi a votação dos deputados estaduais no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves?
Heitor: Quando Tancredo e Maluf disputaram a Presidência, de Rondônia votaram os deputados federais, os senadores e seis membros da ALE. Diziam na época que eu era primo do presidenciável. Na verdade nunca fui parente dele. Minha esposa tem o sobrenome Maluf, mas é de um outro tronco familiar. Deixei rolar, né? Se ele fosse eleito, eu ganharia prestígio. Na votação dos deputados estaduais de Rondônia foram 5 votos para Tancredo e um para o Maluf, que foi o meu voto. Depois houve a formação da Aliança Democrática por aqui para indicar o deputado Angelim a governador e todo mundo ficou junto. Em 98 perdi a reeleição, seria a quinta. Em 2002 disputei para federal e não obtive sucesso.

Diário: Como o senhor vê a performance da atual legislatura da ALE?
Heitor: Dos anos 80 para cá, se modernizou. A Mesa Diretora atual trabalha na construção da nova sede, que será moderna e funcional. Vejo a Casa com boa estrutura, com os deputados atuantes e resgatando a imagem do Legislativo. E assim espero que continuem.

Diário: E o desempenho do prefeito Mauro Nazif?
Heitor: Conheço ele há muito tempo. Foi deputado comigo em duas legislaturas, é uma pessoa que tem responsabilidade com as coisas, muito dedicado. Tenho esperança que resgate os problemas crônicos, como trânsito, alagações, moradia, invasões. Ele é um político sério. Será um bom comandante.

Diário: E o governador Confúcio Moura?
Heitor: Tem procurado acertar. No início não teve muita sorte e trocou muitos assessores para render mais. Com isso, a partir de agora, terá melhores possibilidades de acertar, inclusive, aproveito a oportunidade para dizer para que ele olhe com mais carinho para o esporte. Não podemos deixar Porto Velho como a única Capital do Brasil sem estádio adequado para o campeonato estadual, Copa do Brasil e Série D.

Diário: E sua opinião a respeito do novo Aluizão.
Heitor: Tenho minhas dúvidas. Foi propalado que vão diminuir o número de espectadores para 3.500. Isso vai inviabilizar a participação dos clubes da Capital até na Série D. Precisamos de um estádio para 15 mil torcedores. Para o futebol voltar a crescer em Rondônia depende muito deste novo estádio. Na região, o Acre tem um bom estádio, Roraima. Só falta a gente. Acho o projeto da Arena de Eventos, do governador, com a construção do novo estádio no aeroclube, uma grande ideia.

Fonte: Diário da Amazônia


Autor: Diário da Amazônia